ECONOMISTAS DE CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA FALAM SOBRE CAUSAS DA FRAQUEZA DA ATIVIDADE

📰  Jornal Valor Econômico

01/06/2018

Com a divulgação do resultado do PIB do primeiro trimestre, o Valor perguntou aos economistas responsáveis pela elaboração das propostas econômicas de cinco dos principais candidatos à Presidência o que explica a fraqueza da atividade e o que deve ser feito para impulsioná-la. Responderam Persio Arida, coordenador das propostas econômicas de Gerald
o Alckmin (PSDB), Mauro Benevides Filho, responsável pelo programa econômico de Ciro Gomes (PDT), e Marcio Pochmann, um dos coordenadores do plano de governo de candidato do PT.

Paulo Guedes, que formula as propostas de Jair Bolsonaro (PSL), não respondeu. Eduardo Giannetti, um dos coordenadores das propostas econômicas de Marina Silva (Rede), disse que o programa da candidata para essa área está “ainda em processo de definição”. A seguir, as respostas de Arida, Benevides Filho e Pochmann.

🗞 Valor: O que explica a fraqueza da economia nos primeiros meses do ano? E o que deve ser feito para impulsionar a atividade nesse cenário de recuperação lenta?

🗣 Marcio Pochmann: A divulgação pelo IBGE do comportamento do PIB no primeiro trimestre de 2018 permite situar a economia brasileira após dois anos da mais grave recessão vivida pelo país. Mesmo que positiva, a variação do PIB não aponta, necessariamente, o sentido da recuperação econômica consistente, mas o de sua estagnação, resultante de certo equilíbrio entre ação governamental de estímulo e desestímulo à produção e ao emprego da força de trabalho. De um lado, a queda lenta e contida na taxa de juros que acompanhou a baixa da inflação não se mostrou suficiente tanto para desmotivar a preferência pela liquidez dos empresários como tornar mais relevante a taxa de retorno dos investimentos. Por isso, o crescimento possível depende da ocupação da capacidade ociosa por gastos das famílias ou pelas exportações, mas ambas sem expectativa de importante expansão. De outro lado, a baixa na desvalorização cambial tornou mais atrativa a retomada das importações, fazendo depender o gasto da família da estabilidade do custo de vida, uma uma vez que o nível de emprego contamina-se pelo avanço da precarização e o alto desemprego. A crescente instabilidade em relação ao futuro governamental permite identificar o quanto a mudança de pauta das reformas neoliberais para a de insegurança pública deslocou o tema da economia para a política nacional, desfazendo o inicial ciclo político que o banco central procurou fazer.

O ano de 2018 parece estar perdido do ponto de vista da recuperação econômica, sobretudo se combinar a variação do PIB deste primeiro trimestre com os efeitos negativos gerados pela crise atual do desabastecimento de combustíveis. A superação do cenário de estagnação econômica passa pela recuperação da legitimidade e da credibilidade governamental, somente passível de resolução por meio da realização de eleições livres e democráticas. De todo o modo, o Brasil está carente de um plano de emergência que possa impulsionar o crescimento econômico, para além a ocupação da capacidade ociosa. Para tanto, o uso marginal de recursos alocados nas reservas externas para além a ocupação da capacidade ociosa. Para tanto, o uso marginal de recursos alocados nas reservas externas para retomar obras paradas e motivar iniciativas nos governos estaduais e municipais poderia ser uma contribuição importante, ademais da difusão do crédito e o rebaixamento de seus custos.

Por | 2018-08-16T13:37:45+00:00 jun 02, 18|

Sobre o Autor:

Marcio Pochmann é pesquisador no Centro de Estudos Sociais e Economia do Trabalho (Cesit) , professor titular no Instituto de Economia (IE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e presidente da Fundação Perseu Abramo. Atuou como pesquisador junto às universidades italiana, francesa e inglesa. Foi presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e Secretario do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade da Prefeitura de São Paulo e consultor em instituições nacionais e internacionais. Foi candidato a prefeito de Campinas em 2012 e 2016 pelo PT. Marcio tem mais de 50 livros publicados nas áreas de políticas públicas, mercado, economia e sociedade.

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