MENOS 11,5 MIL EMPREGOS NA INDÚSTRIA PAULISTA

É necessário trabalhar com duas medidas de implementação imediata a partir da saída do governo Temer. A primeira, um conjunto de medidas emergenciais.

Nós estamos com o país diante da mais grave crise de emprego que a sociedade urbano-industrial já assistiu. Não há paralelo desde 1930. Segundo o IBGE, temos quase 28 milhões de brasileiros procurando trabalho. Isso significa que cerca de 27% da força de trabalho esta nessa situação. Não há registro histórico disso.

Primeiro semestre termina com a economia brasileira cada vez mais fraca. Enquanto a indústria paulista registra saldo negativo de 11,5 mil empregos destruídos em junho, decresce a intenção de consumir das famílias brasileiras.

De imediato, medidas que permitam que o Brasil venha a se mover diante do buraco em que se encontra. Vai desde a retomada de obras públicas paralisadas até a implementação de um programa de obras públicas em pequena escala nos municípios. Com o objetivo de retirar a economia da situação de paralisia em que se encontra.

A segunda medida, que devem ser medidas de transição do governo Temer para um novo governo. O que seria essa transição? A revisão de medidas que foram tomadas e que imobilizaram o governo e retiraram qualquer possibilidade de protagonismo do Estado. Isso diz respeito a rever a Emenda Constitucional 95 e também a alteração da legislação trabalhista.

Essa transição, e mesmo as medidas emergenciais, dependerão de alguma forma, não apenas do resultado da eleição presidencial, mas também, e sobretudo, da composição do Legislativo. Sem um Parlamento convergente com essa perspectiva, o próximo Governo terá enormes dificuldades para passar medidas que possam rever os equívocos que o governo Temer tomou.

Por | 2018-07-20T19:22:59+00:00 jul 20, 18|

Sobre o Autor:

Marcio Pochmann é pesquisador no Centro de Estudos Sociais e Economia do Trabalho (Cesit) , professor titular no Instituto de Economia (IE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e presidente da Fundação Perseu Abramo. Atuou como pesquisador junto às universidades italiana, francesa e inglesa. Foi presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e Secretario do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade da Prefeitura de São Paulo e consultor em instituições nacionais e internacionais. Foi candidato a prefeito de Campinas em 2012 e 2016 pelo PT. Marcio tem mais de 50 livros publicados nas áreas de políticas públicas, mercado, economia e sociedade.

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