O DIREITO DE RESPOSTA QUE A VEJA NÃO QUER PUBLICAR

Abaixo a resposta de Marcio Pochmann ao artigo do Maílson da Nóbrega que a #VEJA não quer publicar

Novas saídas para o Brasil

A inserção do Brasil na globalização se mostrou passiva e subordinada, bem ao contrário do que ocorreu na China. Com a abertura da conta de capitais desde o início da década de 1990, o país foi perdendo a capacidade de definir a política monetária autonomamente.

Com isso, crises financeiras de natureza externa passaram a contaminar recorrentemente a economia nacional, conforme verificado nos anos de 1995 (México), de 1997 (Ásia), de 1998 (Rússia), de 2000 (Turquia) e de 2002 (Argentina). Sem a presença de consideráveis reservas internacionais, a trajetória brasileira terminou sendo a de “voos de galinha”, acompanhado por importante especulação contra o real e elevada taxa real de juros.

Somente com a ascensão dos governos do PT que a questão externa começou a ser enfrentada com maturidade, por meio de considerável ampliação das reservas internacionais. Mesmo diante da crise de dimensão global transcorrida em 2008, seus efeitos sobre a economia brasileira foram inferiores aos verificados nos anos de 1990.

Na atualidade do governo Temer de prevalência do quadro de estagnação da renda per capita, a economia segue sem fontes de expansão dinâmica. Ao mesmo tempo, o país mantém enorme estoque de obras públicas paralisadas, com decrescente marcha dos investimentos no setor privado.
Para países como a Bolívia, China, Chile, Coreia do Sul, entre outros, as reservas externas têm sido também utilizadas para financiar a expansão do sistema produtivo. Para tanto, uma diversidade de possibilidades técnicas são adotadas para sustentar essa prática de uso das reservas internacionais com êxito em várias economias.

Considerando que no Brasil, as reservas externas encontram-se levemente acima do patamar necessário, conforme evidenciam estudos técnicos, discute-se a possibilidade de ampliar o seu uso em favor da retomada do crescimento econômico. E é sobre isso que se orienta a proposição de alocar parte ínfima das reservas com a finalidade de alavancar a retomada dos investimentos privados.

Por ser tecnicamente possível e politicamente viável, parcela excedente das reservas internacionais podem perfeitamente lastrear o caminho de saída regressiva comandada pelo receituário neoliberal.

Em oposição a isso, insurge-se Maílson da Nóbrega, cujo principal atributo tem sido o de escrever sobre problemas que quando na condição de Ministro da Fazenda registrou fracasso rotundo. De seu inegável legado hiperinflacionário, o ex-ministro de Sarney se especializou em criticar os governos do PT que conseguiram combinar democracia, crescimento econômico com pleno emprego e redução das desigualdades com a inclusão social. Pela política do feijão com arroz do neoliberalismo defendido por M. Nóbrega, o PIB per capita não cresceu, o déficit fiscal subiu de 4,3% (1988) para 12,4% do PIB (1989), a despesa com juros da dívida pública cresceu quase 160% e o Gini da desigualdade de renda elevou-se de 0,594 para 0,612.

O brasileiro atualmente almeja novamente combinar o crescimento econômico, a distribuição de renda e o pleno emprego com igualdade de oportunidade. O uso das reservas externas constitui um passo importante neste sentido.

Texto do Maílson publicado na Veja: https://abr.ai/2z35DZ7

Por | 2018-07-03T14:33:17+00:00 jul 03, 18|

Sobre o Autor:

Marcio Pochmann é pesquisador no Centro de Estudos Sociais e Economia do Trabalho (Cesit) , professor titular no Instituto de Economia (IE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e presidente da Fundação Perseu Abramo. Atuou como pesquisador junto às universidades italiana, francesa e inglesa. Foi presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e Secretario do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade da Prefeitura de São Paulo e consultor em instituições nacionais e internacionais. Foi candidato a prefeito de Campinas em 2012 e 2016 pelo PT. Marcio tem mais de 50 livros publicados nas áreas de políticas públicas, mercado, economia e sociedade.

2 Comentários

  1. Netho julho 4, 2018 at 11:17 am - Reply

    Precisa falar mais sobre a relação das receitas fiscais com os juros e amortização da dívida pública.
    O ex-ministro da Nóbrega nem merece resposta; é um lorpa.

  2. […] por Marcio Pochmann, em seu blog […]

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