PT RETOMARÁ OBRAS ORÇADAS EM R$ 120 BILHÕES, PREVÊ PROGRAMA DE GOVERNO

📰 VALOR ECONÔMICO -21/06/2018

O PT pretende retomar obras orçadas em R$ 120 bilhões, financiadas parcialmente com recursos de reservas internacionais, para alavancar o crescimento da economia no país. A proposta deve ser apresentada no programa de governo petista na disputa pela Presidência, previsto para ser lançado em agosto. Segundo o presidente da Fundação Perseu Abramo e um dos responsáveis pelo programa, Márcio Pochmann, a proposta faz parte do plano emergencial do partido para o país, para tentar combater problemas como o desemprego.

🗣️ “Temos cerca de R$ 120 bilhões em obras paradas, de projetos liberados, mas que não têm recursos. Precisamos retomá-las”, afirmou Pochmann, ao participar do debate sobre o projeto do PT, na Casa do Saber, em São Paulo.

“Podemos fazer pequenas obras nos municípios com uma parte ínfima das reservas. A reserva vai ser usada como garantidor. Vai lastrear.”

Pochmann afirmou que o PT não pretende fazer um novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), bandeira da gestão Lula.

“O PAC foi para fazer obras novas. Agora pretendemos retomar as que estão paradas”, disse.

O partido dividiu o programa de governo em três partes. Além do plano emergencial, há o de transição, que prevê medidas como a revisão do teto de gastos e a reforma trabalhista, e o estrutural, para a reorganização do sistema produtivo. O mote central é o crescimento. “Sem voltar a crescer dificilmente vamos resolver o problema fiscal.”

Durante o debate, um dos principais questionamentos foi se o próximo governo do PT pretende reeditar os oito anos do governo Luiz Inácio Lula da Silva ou a gestão Dilma Rousseff, cujo fim foi antecipado pelo impeachment, em 2016. Segundo Pochmann, não será como nenhum dos quatro mandatos petistas. “Lula diz que quer fazer um programa ousado, mas vai pegar uma situação diferente da que pegou em 2002. Não vai ser nenhum dos governos passados, mas temos um legado”, afirmou, defendendo a pré-candidatura do ex-presidente Lula, preso desde abril

Pochmann participa da construção e organização do plano de governo petista junto com o ex-deputado Renato Simões e o ex-prefeito Fernando Haddad, coordenador do programa e cotado para substituir Lula se o ex-presidente não disputar a Presidência. O dirigente petista evitou detalhar outras propostas e a todo momento disse que o partido ainda precisa validá-las, mas reforçou que algumas delas vão depender da negociação com a próxima legislatura do Congresso.”Talvez seja necessário ter uma Constituinte para aprovar as medidas. Podemos defender propostas, mas não podemos garantir que teremos maioria no Legislativo”, afirmou.

Sobre a Previdência, ele ressaltou que a ideia é o “enfrentamento dos privilégios”, mas não disse como o PT pretende fazer isso. Também não quis falar qual seria o “aceitável do câmbio” nem sobre a gestão de preços dos combustíveis, quando questionado pela plateia. O petista afirmou que o mais importante neste momento é discutir propostas estruturantes. “O país está sem projeto nacional, sem projeto de médio e longo prazo. Nossa preocupação é olhar de forma estrutural.”

Pochmann, no entanto, destacou que o partido não pretende fazer nada de radical e tampouco dar “calote”. “O PT tem trajetória de programas gradualistas. Os problemas não se resolvem com medidas de choque, que polarizam ainda mais a sociedade. Não dá para defender só a tributação dos mais ricos”, disse.

Por | 2018-06-25T13:53:56+00:00 jun 21, 18|

Sobre o Autor:

Marcio Pochmann é pesquisador no Centro de Estudos Sociais e Economia do Trabalho (Cesit) , professor titular no Instituto de Economia (IE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e presidente da Fundação Perseu Abramo. Atuou como pesquisador junto às universidades italiana, francesa e inglesa. Foi presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e Secretario do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade da Prefeitura de São Paulo e consultor em instituições nacionais e internacionais. Foi candidato a prefeito de Campinas em 2012 e 2016 pelo PT. Marcio tem mais de 50 livros publicados nas áreas de políticas públicas, mercado, economia e sociedade.

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